Pesquisadores de História da Mídia divulgam apoio a Lúcio Flávio Pinto

O 9º Encontro Nacional de História da Mídia ocorreu entre 30 de maio e 1º de junho, em Ouro Preto. Saiba mais sobre o evento aqui.

GT DE MÍDIA ALTERNATIVA DA ALCAR DIVULGA MANIFESTO EM DEFESA DO JORNALISTA LÚCIO FLÁVIO PINTO

Os pesquisadores e pesquisadoras do Grupo de Trabalho de História da Mídia Alternativa da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar), reunidos no 9º Encontro Nacional de História da Mídia, em Ouro Preto (MG), vêm a público manifestar seu repúdio e indignação contra as perseguições sofridas pelo jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal. Reconhecido no Brasil e no exterior pela excelência do trabalho jornalístico que realiza há mais de 40 anos, e com o qual ajuda na compreensão das complexidades sociais, políticas e econômicas da região amazônica, Lúcio é alvo de seguidos processos na Justiça do Pará, a maioria movidos pela poderosa família Maiorana, proprietária de um dos maiores grupos de mídia do Norte do país.

Esses processos vêm encontrando eco entre os magistrados paraenses, o que revela a parcialidade do Poder Judiciário no tratamento do caso. Depois de ser condenado por denunciar a tentativa do empresário Cecílio do Rego Almeida de ocupar ilegalmente uma extensa área de terra naquele Estado, em janeiro deste ano de 2013 o jornalista foi mais um vez derrotado no Tribunal de Justiça do Pará. Desta vez, a desembargadora Eliana Abufaiad condenou Lúcio a pagar cerca de 410 mil reais ao empresário Romulo Maiorana Junior e à sua empresa de comunicação, em razão da publicação, em 2005, do artigo intitulado “O rei da quitanda”, no Jornal Pessoal. O artigo desvenda as relações de poder tecidas pelo grupo Maiorana visando assegurar a dominação do mercado de mídia local.

Lúcio tem razão quando diz que é vítima de um processo político. Nas páginas de seu alternativo, ele já demonstrou a falta de isenção de magistrados paraenses nos julgamentos em que aparece como réu. Seus seguidos recursos são costumeiramente ignorados nas instâncias do Judiciário local.

O GT de Mídia Alternativa da Rede Alfredo de Carvalho (Alcar) entende que os processos contra Lúcio Flávio Pinto pertencem a um contexto mais amplo, de perseguição a jornalistas que, mesmo protegidos pelo direito à liberdade de expressão assegurado constitucionalmente, vêm sofrendo condenações especialmente depois de denunciar desmandos envolvendo representantes do baronato da mídia e do Judiciário. A tentativa de silenciar esses jornalistas se dá por meio de decisões judiciais que determinam o pagamento de quantias exorbitantes por parte dos réus. Como exemplos recentes, citamos os casos dos jornalistas e blogueiros Luiz Carlos Azenha e Paulo Henrique Amorim.

Deste modo, os pesquisadores e pesquisadoras aqui representados se associam às centenas de pessoas e entidades que, no Brasil e no mundo, denunciam todas as formas de agressão ao trabalho de jornalistas que se servem dos canais alternativos para propor uma outra visão de mundo, distinta daquela cotidianamente oferecida pelos meios hegemônicos de informação.

Ouro Preto, junho de 2013

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A resistência dos povos indígenas a Belo Monte no Jornal Pessoal que chega às bancas

Arte de LuizPê

Arte de LuizPê

Confira as chamadas de capa do Jornal Pessoal nº 538, primeira quinzena de junho de 2013

HIDRELÉTRICA

A guarda do paraíso

A construção da hidrelétrica de Belo Monte chegou a um impasse diante da resistência crescente dos índios à obra. O que fazer agora: passar por cima das resistências ou rever o projeto do governo para a Amazônia? A decisão é difícil, mas precisa ser tomada agora.

E mais:

  • CONSPIRAÇÃO CASSA PUTY?
  • MAIORANA: OUTRO PROCESSO
  • PARÁ TEM MAIS UNIVERSIDADE

Jornal Pessoal, nas bancas de Belém a R$ 5.

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Lúcio Flávio Pinto e Paulo Roberto Ferreira depõem à Comissão da Verdade

Assista à íntegra dos depoimentos dos jornalistas Lúcio Flávio Pinto e Paulo Roberto Ferreira à Comissão da Memória e Verdade, no dia 21 de março de 2013, no auditório João Batista da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). A comissão foi criada pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (Sinjor-PA) com a finalidade de colaborar com as investigações empreendidas pela Comissão Nacional da Verdade, criada pela lei federal nº 1.2528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012. Esta comissão tem a prerrogativa de apurar as violações aos direitos humanos no Brasil no período entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.

A moderação do blog agradece ao fotógrafo Patrick Pardini e à equipe da revista Polichinello por viabilizarem a publicação do vídeo.

Assista ao vídeo

Leia mais sobre os depoimentos aqui.

 

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Por que a solidariedade a Lúcio Flávio Pinto não se estende à vendagem do Jornal Pessoal? Leia o que LFP respondeu

O selo que LuizPê criou para a campanha de solidariedade ao irmão.

O selo que LuizPê criou para a campanha de solidariedade ao irmão.

Atualizado às 13h34.

Luiz Pinto, editor de arte do Jornal Pessoal e, para quem ainda não sabe, irmão do Lúcio Flávio, fez a última da série de perguntas dos leitores-internautas ao LFP. LuizPê, que o acompanha diretamente na batalha do jornal impresso, aborda o apoio do público ao jornalista.

Luiz Pinto – Constatamos pela campanha de arrecadação da quantia em dinheiro para o pagamento da indenização ao Cecílio do Rego a enorme rede de solidariedade ao teu trabalho pelas causas amazônicas. Por que esse apoio não se estende à compra do Jornal Pessoal, já que o jornal é a maior expressão e a sobrevivência dessa tua luta, porém, a queda na venda só aumenta (mesmo levando em conta a crise do jornalismo impresso)?

LFP – Já participei de várias iniciativas para arrecadar fontes para o JP e formar grupos de apoio. Nenhuma prosperou. Lembro uma, comandada pelo então reitor da UFPA, o atual deputado federal Nilson Pinto de Oliveira, realizada no Núcleo de Arte, na Praça da República. Foi a primeira e única reunião, embora tenha começado muito bem.

Entendo esse esvaziamento. Cada um tem sua própria cruz para carregar e missões coletivas a desempenhar. Não sobra muito tempo, memória e energia para empenhar na causa do jornal. Para não renovar ilusões e frustrar esperanças, passei a considerar o JP como uma tarefa profissional, um trabalho normal. Ajo como se meu jornalzinho tivesse as mesmas condições das publicações da grande imprensa, apesar da sua condição idiossincrática (ao rejeitar a receita da venda de anúncio, o JP se condena ao pauperismo de meios para exercer o jornalismo).

Faço a minha parte da melhor maneira possível (embora tenha que reconhecer que é cada vez “menos melhor”, digamos assim, “antoniomagriescamente”). O leitor, se quiser, que faça a sua. Se não quiser, o jornal para. Como tem que ser. Do contrário, o editor vai se sentir herói ou injustiçado. Pobre do povo que precisa de herói, disse Bertolt Brecht pela boca de Galileu. A injustiça faz mal para o fígado. Melhor desopilá-lo com bom humor e tolerância.

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O jornalista precisa de uma boa formação humanista, saber ver o mundo, afirma Lúcio Flávio Pinto

A formação do jornalista é o tema de hoje da entrevista dos leitores com o jornalista Lúcio Flávio Pinto. Veja o que ele respondeu à internauta Rose Silveira:

Rose Silveira – Você já teve a experiência de lecionar no curso de Comunicação Social (Jornalismo) da Universidade Federal do Pará. Mesmo considerando as variações nos perfis dos cursos de Jornalismo oferecidos pelas universidades brasileiras, a seu ver, o que não deveria faltar na formação do jornalista?

LFP – Uma boa formação humanista. Por isso, diversificada e profunda. Não me lembro de ter indicado um único manual para os meus alunos nem de fazê-los viajar pela teoria da comunicação (que, a meu ver, devia fazer parte do curso de Comunicação, se passasse a existir o de Jornalismo; caso contrário, devia receber abrigo sob o teto da semiótica e da linguística, ou mesmo da teoria literária).

Dei-lhes grandes textos do jornalismo próximo da literatura, da história ou da ciência política. E de textos da literatura que iluminam a abordagem jornalística. Ver o mundo, saber anotá-lo e repassá-lo de forma fluente, clara e agradável para os outros é a missão do jornalista.

Também mostrei aos meus alunos onde esse jornalismo foi praticado. Levava para a sala de aula exemplares das melhores publicações, nacionais e estrangeiras, do meu próprio acervo, para que eles as vissem e aprendessem a fazer algo próximo ou semelhante através de quem fizera o melhor. Por fim, testei-os a fazer com seus próprios recursos, segundo suas ideias pessoais. Foi o que fiz em sete anos na UFPA.

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Lúcio Flávio Pinto ao leitor: “Minha crença é na revolução pelo conhecimento”

A pergunta de hoje ao jornalista Lúcio Flávio Pinto vem do internauta Wendell Magalhães.

Wendell Magalhães – É certo que a sua principal batalha em favor de nossa região, estado e cidade é feita através da informação, do esclarecimento. É feita buscando mostrar a verdade nua e crua dos fatos, como todo bom jornalismo, como o teu, é feito. Porém, gostaria de saber se acreditas que essa luta contra todos os problemas que afligem e ameaçam nossa região amazônica pode ser travada com outros meios e ir além disso. Ou seja, quero que me digas se tens convicção de que os problemas da Amazônia, de servir sobretudo como mero espaço de saque desde o início da colonização, podem ser resolvidos no campo democrático e na defesa pela democracia já conquistada até aqui, ou se acreditas que podemos e devemos ir além dela.

Lúcio Flávio Pinto – A defesa não pode ser feita apenas através da palavra escrita. Tenho me empenhado também com o discurso. Faço palestras desde 1969. Já perdi a conta de quantas fiz. Uns 20 anos atrás me aproximava de 500. Os auditórios eram menores do que o público que alcanço com meus escritos. Mas a palavra oral tem uma força raramente alcançada pelos textos porque é acompanhada de olhares, gestos, eloquências e silêncios, no corpo a corpo, no olho no olho. Mobiliza muito mais.

Ainda assim, sei que falta algo mais: a ação política. Não cheguei até ela por foro íntimo. Minha política é o que tenho feito, da página impressa ao auditório. Outros podem fazer mais indo à política mais partidária. Minha crença é na revolução pelo conhecimento, a consciência e a assunção de um papel próprio por cada cidadão. Não tenho mais tempo útil para a revolução por ação armada ou qualquer forma de rompimento brusco, radical e violento. Nem confiança nessa via. Sou um homem de convicções formadas pela leitura de autores que me instruíram a agir de forma mais decidida, profunda e democrática, como Gramsci, à sombra de Marx.

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Em nova entrevista, LFP responde sobre sua formação intelectual, política, Comissão da Verdade e desigualdade social

A participação de hoje é da internauta Marly Gonçalves da Silva, que enviou ao jornalista Lúcio Flávio Pinto um questionário diversificado, que o blog reproduz na íntegra.

Marly Gonçalves da Silva – Quais são os intelectuais brasileiros que você mais admira  no campo da filosofia,  sociologia,  antropologia e  economia?

Lúcio Flávio Pinto – São tantos. Vou citar só os mais influentes na minha formação, muito eclética, mesmo quando, depois, entrei em conflito com eles (e incluo a literatura e o jornalismo, que me foram fundamentais; cito sem qualquer ordem): Herbert Baldus, Antonio Gramsci, Curt Nimuendaju, Nunes Pereira, Carlos Heitor Cony, Antonio Callado, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, José J. Veiga, Gilberto Freire, Euclides da Cunha, Gondin da Fonseca, Agripino Grieco, Darcy Ribeiro e por aí.

Marly – Daniel Cohn-Bendit, Vargas Llosa e Florestan Fernandes, em um determinado momento de suas vidas, fizeram a escolha pela política. Qual a tua avaliação a respeito? Já chegaste a pensar nesta possibilidade?

LFP – Quando completei 18 anos, meu pai começou a me pressionar para seguir a carreira dele, político desde a juventude. Achava que eu tinha condições de sucedê-lo e herdar seus votos. Desde então, até papai morrer, em 1985, cada eleição era uma guerra de braço não declarada entre nós. Cheguei a vacilar, até estimulando seus sonhos. Mas sempre recuei. Queria e acho que podia me tornar político. Mas o puder me impediu de dar o último passo no rumo da política partidária. Via como ela era praticada desde criança. Nossa casa sempre foi ponto de reunião e quase de comícios. A política me fascinava, mas não o ritual necessário para a iniciação. Nunca me filiei a partidos e acabei por desistir de me tornar político. O jornalismo absorveu minhas energias.

Marly – O que esperas como resultado dos trabalhos da Comissão da Verdade? Não te parece decepcionante a mobilização da sociedade? E a cobertura da mídia ao depoimento do Ustra?

LFP – Como custa caro a verdade no Brasil, não é mesmo? Outros países menos cordiais do que o nosso chegam a ela com mais facilidade do que nós. Facilidade, em termos: há realmente um desejo da sociedade de encarar os fatos e, usando-os como marcos da trilha, chegar à verdade. Como essa nunca foi uma matéria-prima à qual nossas elites se afeiçoam e valorizam, ela coloca pedras sobre as verdades insepultas e manda rezar a missa fúnebre, como se o indigitado já estivesse morto. Verdade é coisa morta no Brasil. Se incomoda, ninguém quer tirá-la de sob suas tumbas utilitárias. Empolgado pela legenda da alegria, da cordialidade, do jeitinho e do gingado, o brasileiro olha para a frente como se só tivesse futuro. Zweig caiu no conto e deu-se mal. Já o Ustra deu-se bem. Mesmo sem convencer, o que diz – mais no seu livro A verdade sufocada do que no depoimento –não foi adequadamente contraditado.

Marly – O sociólogo brasileiro Edson Passetti, editor da revista Verve, define o nosso “planeta favelas” como “campos de concentração a céu aberto”. O que achas dessa definição? Onde vamos parar com tamanha desigualdade social e segregação espacial?

LFP – Nunca entrou e circulou tanto dinheiro pelo Brasil. Nunca foi tal a grandeza econômica do país. Nunca, entretanto, os brasileiros estiveram tão endividados. E nunca estiveram com suas prestações tão atrasadas. Riqueza e crédito podem ter uma relação saudável, se há poupança efetiva. Quando não há, empurra-se a coisa com a barriga e manipula-se a realidade. Segundo os órgãos oficiais que medem a riqueza nacional, quem ganha até 1,2 mil reais por mês é classe média. Daí a maior façanha do governo petista ser a promoção dos pobres a classe média e dos miseráveis a pobres. Mas pelo critério de aferição de ascensão social de até R$ 1,2 mil. Quem pode ser considerado de classe média a US$ 600 nos Estados Unidos?

A maior façanha do PT foi ter multiplicado a quantidade de bilionários brasileiros à custa do tesouro nacional, usando o BNDES como intermediário. Para promover as tais multinacionais brasileiras, sem dar-lhes o suporte da competência para a concorrência internacional, o caixa do governo está sendo submetido a uma hemorragia. Mas como parece que a entrada de dinheiro gera riqueza, quem não consegue entrar na roda no mundo real parte para a violência. Quem fazer parte da dança, mas a parte que lhe reservam é ilusória. Como quebrar o feitiço?

Através da violência. Esta, imensa e chocante como nunca. Se pode ser usada a imagem de campos de concentração, que não considero apropriada, deve-se atinar para o fato nada secundário de que não há muros para isolar os confinados. Isso é ainda mais trágico. Daí a revolta, o ódio e a barbárie nos atos de violência.

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