Confira as chamadas da nova edição do Jornal Pessoal

Arte: LuizPê

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Novo JP: Lúcio Flávio Pinto analisa as manifestações no Brasil

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Arte de Luiz Pê

 

Jornal Pessoal, edição de nº 540, primeira quinzena de julho, já está nas bancas de Belém com as seguintes chamadas:

PASSEATAS

As vozes das ruas

Ninguém deve ter dúvidas que o Brasil realmente mudou depois que os brasileiros foram às ruas para protestar e exigir mudanças. O fenômeno é tão surpreendente que ainda continua a desafiar a compreensão sobre o que é e o que pode representar ainda. Enfrentar esse desafio favorece a democracia.

  • A ESPIONAGEM DA MINERADORA
  • JARI: NOVA ETAPA DA SUA HISTÓRIA
  • BELO MONTE SAI, DIZ O GOVERNO

 

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Rebeldia e ativismo político na web

Publicado no Observatório da Imprensa em 25 de junho de 2013. Ver o original aqui.

Por Célia Regina Trindade Chagas Amorim

Professora e vice-diretora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará

Este artigo analisa a formação de uma rede alternativa criada em 2012 na web em solidariedade ao jornalista e sociólogo Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal. A hipótese desta comunicação científica assenta-se na ação cívica que a rede contra hegemônica tem proporcionado na geopolítica contemporânea ao dar visibilidade, por meio de articulações e interações locais/nacionais/globais, à perseguição jurídica e política que o jornalista vem sofrendo por parte das Organizações Rômulo Maiorana, uma das mais poderosas empresas de Comunicação na Amazônia; por empreiteiros que se apossam ilegalmente de terras na região; e pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE-PA), representado por juízes e desembargadores que usam como modus operandi o poder de negar sucessivos recursos impetrados pelo jornalista em sua defesa. A finalidade é calar a voz independente do periódico, que este ano completará 26 anos de atuação em defesa da causa pública na Amazônia. A rede de leitores, ativistas e profissionais de jornalismo vem se constituindo em uma nova esfera de ação comunicativa na web, engrossando outras esferas alternativas que se organizam independente do Estado, contra as injustiças na região. Os autores que balizam o presente estudo são Manuel Castells 1999; John Downing 2002; Berta Becker 2005; Violeta Loureiro, 2009.

Do local ao global

Negligenciar a história de luta de Lúcio Flávio Pinto é negligenciar uma parte considerável da história contemporânea da Amazônia. (CTA).

No mundo contemporâneo existem milhões de usuários agrupados em redes planetárias cobrindo todo o espectro da comunicação humana. A comunidade virtual “Somos Todos Lúcio Flávio Pinto” é uma delas. A rede se originou em fevereiro do ano passado, na internet, pelo direito de comunicação na Amazônia.

O epicentro foi a perseguição jurídica e política que vem sofrendo o sociólogo e jornalista Lúcio Flávio Pinto por parte das Organizações Rômulo Maiorana, uma das mais poderosas empresas de Comunicação na Amazônia; por empreiteiros que se apossam ilegalmente de terras na região, os chamados grileiros; e pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE), representado por determinados juízes e desembargadores. Estes, intérpretes do Direito, usam como modus operandi procedimentos administrativos e jurídicos para negar sucessivos recursos impetrados pelo jornalista em sua defesa. Trata-se de uma justiça que historicamente defende interesses de grupos hegemônicos na região. A finalidade é dar fim à experiência alternativa do Jornal Pessoal.

Mesmo depois da era pré-www – 1995 – (Castells, 1999), a luta pelo direito de comunicação do jornalista era restrita a leitores da região; ou quando muito a alguns brasileiros e estrangeiros que recebiam pelos Correios o Jornal Pessoal, ainda no padrão gutemberguiano. Amante da cultura letrada, Lúcio Flávio Pinto somente aderiu à “Rede das redes” (Castells, 1999) em 2008 quando postou o Jornal Pessoal na íntegra. De um universo de apenas 2000 leitores, o alternativo ampliou o seu público de forma globalizada, já que a arquitetura tecnológica da Rede é aberta, possibilita amplo acesso sem restrições governamentais ou comerciais.

A comunidade “Somos Todos Lúcio Flávio Pinto” consolidou as ações alternativas do jornalista na web por meio do sítio (site) (https://somostodoslucioflaviopinto.wordpress.com/). Hoje a causa do jornalista e os grandes temas publicados de forma crítica e analítica pelo Jornal Pessoal – como trabalho escravo em pleno século 21, grilagem de terras, tráfico internacional de drogas, monopólio das comunicações, nepotismo no judiciário paraense, prostituição infantil, assassinatos no campo, conflitos fundiários, as grandes devastações e queimadas, desmandos dos poderes constituídos institucionalmente, perseguições políticas a jornalistas, matança de índios, etc. – saíram do circuito local e são conhecidos no mundo inteiro. Trata-se de uma nova esfera de ação comunicativa na web, engrossando as fronteiras de outras esferas alternativas que se organizam independente do Estado contra as injustiças sociais na Amazônia.

A Rede das redes: a nova era da comunicação alternativa

A internet é a estrutura central da comunicação global mediada por computadores (CMC). Trata-se da Rede que conecta as redes. A coexistência de interesses e culturas na Rede resultou na forma da World Wide Web – WWW (Rede de Alcance Mundial). (Castells, 1999).

A internet, como base da CMC, favorece a criação de comunidades virtuais, que de acordo com Rheingold, citado por Castells, “são redes eletrônicas autodefinidas de comunicações interativas e organizadas ao redor de interesses ou fins em comum” e podem ser de dois tipos, as formalizadas, portanto patrocinadas; ou as concebidas por meio de ações espontâneas nas redes sociais. (1999, p.443). A rede em solidariedade a Lúcio Flávio Pinto obedece ao segundo formato e se materializa a partir de uma postura de contra hegemonia de indivíduos envolvidos em formas interativas de comunicação, com a finalidade de furar o fluxo unilateral das mídias oficiais e do Estado na Amazônia.

Os primeiros a usar a web como ferramenta política foram os grupos fundamentalistas cristãos, os militares norte-americanos nos Estados Unidos da América e os zapatistas, movimento contra hegemônico que surgiu nas florestas do sudoeste mexicano.

Mas a internet, aos poucos, começou a ser usada por cidadãos comuns como um meio poderoso para a sociedade civil global protestar. No início da década de 1990, por exemplo, Castells informa que a democracia local dos EUA começou a ser ativada por meios de várias experiências cidadãs. Ele cita a cidade de Santa Mônica, na Califórnia, em que pessoas debateram questões dos sem-teto e transmitiram as opiniões ao governo. (1999, p. 449).

Experiências mais recentes são registradas pelo mundo. Em 2011 atos de protestos explodiram no mundo árabe em decorrência do desemprego e da monopolização de poder e riqueza em mãos de ditadores que comandavam vários países há anos. Os conflitos nesta região, que ficaram conhecidos como Primavera Árabe, não eram novos, mas ganharam uma grande dimensão por meio de mobilizações sociais na web.

Nas ruas da Tunísia, por exemplo, atos populares foram ampliados pelas postagens na internet contra a ditadura de Zine el-Abdine Ben Ali. As manifestações levaram a queda do presidente desde 1987 no poder. No Egito aconteceram mobilizações contra o regime autoritário de Hosni Mubarak. O povo egípcio, composto por 70% de jovens, utilizou a internet para marcar data, hora e local das manifestações. O resultado foi a saída de Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos.

No Brasil, no dia 07 de março deste ano, a eleição do deputado federal Marco Feliciano do Partido Social Cristão (PSC) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) do Congresso Nacional, despertou reação negativa nas redes sociais, no parlamento brasileiro e nas ruas do país. O motivo foram as declarações homofóbicas e racistas do deputado. As minorias (como movimento LGBT e movimento negro) não se sentiram representadas pelo político, que também é pastor evangélico. No Facebook há registros da formação de grupos exigindo a saída de Feliciano do cargo. Dois deles são a comunidade “Cartazes & Tirinhas LGBT”, com aproximadamente 16 mil seguidores; e “Feliciano não me representa”, com mais de 12 mil seguidores.

Esses exemplos demonstram que na contemporaneidade as microredes ou redes como blogs, fotologs, comunidades, You Tube, MSN, Facebook, Twitter, etc., construídas a partir da sociedade civil representam um novo espaço de luta que é travada “à margem da mídia tradicional, mas que vai pelas bordas corroendo os grandes conglomerados e, dia após dia, ganhando novos leitores e adeptos” (FERRARI, 2010, p.36).

A Rede STLFP na geopolítica contemporânea

Antes de se adentrar na análise da rede contra hegemônica que se formou em solidariedade ao jornalista, é pertinente enfatizar a configuração geopolítica contemporânea assentada na revolução científico-tecnológica que possibilitou, entre outros fatores, uma ampliação da comunicação e de relações, por meio de fluxos e redes, em espaços-tempos diferenciados (BECKER, 2005).

A geopolítica, entendida como relações entre poder e espaço geográfico (BECKER, 2005), antes era caracterizada por pressões, intervenções, guerras, e conquistas do território, e estava representada no âmbito do poder do Estado. Na contemporaneidade este cenário mudou radicalmente. A geopolítica hoje se materializa na capacidade de poder influir de forma velada na tomada de decisão dos Estados sobre o uso do território. E para isso a Rede das redes torna-se fundamental.

De acordo com Becker,

“(…) Hoje, na acentuação de diferentes espaços-tempos reside uma das raízes da geopolítica contemporânea. As redes são desenvolvidas nos países ricos, nos centros do poder, onde o avanço tecnológico é maior e a circulação planetária permite que se selecionem territórios para investimentos, seleção que depende também das potencialidades dos próprios territórios. Ocorre que ao se expandirem e sustentarem as riquezas circulante, financeira e informacional, as redes se socializam. E essa socialização está gerando movimentos sociais importantes, os quais também tendem a se transnacionalizar” (BECKER, 2005, P).

Este novo cenário gerou dois mecanismos internacionais bastante complexos. Becker informa que o primeiro está relacionado ao sistema financeiro, da informação, do domínio do poder efetivamente das potências; já o segundo encontra-se no âmbito do internacionalismo dos movimentos sociais com seus atores sociais buscando suas próprias territorialidades, acima e abaixo da escala do Estado, suas próprias geopolíticas, articulando-se em escala planetária. “A Amazônia é um exemplo vivo dessa nova geopolítica, pois nela se encontram todos esses elementos” (Becker, 2005, p).

É no âmbito desta geopolítica contemporânea que se originou a rede “Somos Todos Lúcio Flávio Pinto” permitindo articulações e interações locais/ nacionais/globais para ampliar os protestos contra as violências físicas e jurídicas que o jornalista vem enfrentando por denunciar no Jornal Pessoal os sucessivos projetos geopolíticos internacionais e seus impactos ambientais e sociais na Amazônia. Trata-se de uma teia de redes que se posicionou politicamente tanto nacional quanto internacionalmente, promoveu manifestações e comentários na internet, com notícias e reportagens pelo mundo.

Por atitudes desta natureza é que Downing, pesquisador britânico, acredita que a internet, com foco numa postura de contra hegemonia, pode se transformar na “primeira esfera pública global” ao oportunizar “aos indivíduos e coletivos independentes de todo o mundo, a chance de comunicar-se, com suas próprias vozes, com uma audiência internacional de milhões de pessoas” (2002, p. 270-271).

Este exercício político da rede Somos Todos Lúcio Flávio Pinto foi adquirido no período de 1960-1985, era pré-internet, ambientada pela ditadura militar no Brasil, quando muitos amazônidas tiveram de lutar contra o projeto geopolítico dos novos donos do poder que tinha como matriz a apropriação privada das terras da Amazônia ao capital nacional e internacional. Grandes empresários nacionais e estrangeiros foram atraídos para a região por meio de vantagens de políticas públicas, propostas pelos militares. Mas a convivência com os povos tradicionais como índios, caboclos, ribeirinhos, seringueiros, colonos, não foi pacífica.

É a partir da década de 1970, como resposta a apropriação privada da terra e da natureza em geral pelo capital, com o consequente desapossamento e a expulsão de seus antigos moradores, que os movimentos sociais começam a se organizar e a definir mais concreta e objetivamente, estratégias de negociação e linhas de ação para fazer frente e resistir ao avanço do capital, embora o primeiro movimento social de luta pela terra tenha sido registrado na região antes de 1970 (LOUREIRO, 2009, p.46).

Como a terra amazônica foi colocada à venda ou grilada – apropriação irregular da terra, por meio de documentos falsos – Loureiro informa que no início dos anos 1990 os conflitos e os movimentos sociais de resistência se intensificaram e distribuíram-se em vários e diversos tipos. “Os casos mais generalizados diziam respeito aos conflitos decorrentes da grilagem de terras, com posterior apropriação da mesma pelo comprador, ou a revenda da terra grilada” (LOUREIRO, 2009, p.47). Na maioria dos casos a terra pertencia a povos tradicionais da região que, à revelia, sofriam e ainda sofrem com a prática da grilagem, seguidas de apropriação e venda de seus terrenos.

Mas entre avanços e derrotas, é importante lembrar que hoje, na geopolítica contemporânea, proporcionada pelos avanços na área da tecnologia e da comunicação, “essa sociedade tem voz ativa na Amazônia e no Brasil, inclusive muitos grupos indígenas” (BECKER, 2005, p.). Já Loureiro (2009, p.194) afirma que a maioria dos movimentos sociais na Amazônica tem caráter cívico e procura marcar o espaço público por meio de atos de cidadania, de reivindicação coletiva para a defesa e promoção dos direitos humanos.

A rede Somos Todos Lúcio Flávio Pinto é um exemplo de ação contestatória em solidariedade à causa do jornalista, que de uma forma mais ampla, transforma-se em uma radical insubordinação ao modelo de desenvolvimento hegemônico imposto à Amazônia.

Ações políticas da Rede STLFP: Rebeldia e ativismo na Amazônia

A importância de participações políticas coletivas na web, do perfil da rede Somos Todos Lúcio Flávio Pinto, ganha um caráter ímpar na história da Amazônia, região de dimensões gigantescas que abriga na parte brasileira quase a metade do território do país. O acesso ainda é difícil, lento, caro, mas as redes de computadores têm possibilitado, gradualmente, novas formas de organização, participação e solidariedade comunitária na região.

A campanha começou na rede social do Facebook por meio da seguinte fanpage: “Lúcio Flávio Pinto” link: (https://www.facebook.com/pages/L%C3%BAcio-Fl%C3%A1vio-Pinto/141568969261232) com mais de 3 mil internautas; e no microblog do site (https://twitter.com/somostodoslucio) com outros seguidores.

A ação em solidariedade ao jornalista foi deflagrada após a divulgação de um texto-denúncia de Lúcio Flávio Pinto na web. Eis uma parte do texto do jornalista, que motivou a criação da rede.

“(…) Como no poema hindu, se alguém tem que queimar para que se rompam as chamas, que eu me queime. (…) Não pretendo o papel de herói. (…). Sou apenas um jornalista. Por isso, preciso, mais do que nunca, do apoio das pessoas de bem. Primeiro para divulgar (…) iniquidades, que cerceiam o livre direito de informar e ser informado, facilitando o trabalho dos que manipulam a opinião pública conforme seus interesses escusos. Em segundo lugar, para arcar com o custo da indenização (…)” (Lúcio Flávio Pinto, em 14 de fevereiro de 2012).

A mobilização nas redes sociais (Facebook, Twitter, e-mail etc.) foi imediata e intensa, com notícias, comentários, notas e fotos sobre o assunto. Uma das primeiras postagens na web, datada do dia 13 de fevereiro de 2012, foi do respeitado jornalista Raul Martins Bastos, com o título “A história de uma injustiça. Uma indignidade”, enviado, por e-mail, ao jornalista Ricardo Kotscho.

“(…) Os amigos do Lúcio Flávio, entre os quais com muito orgulho me incluo, decidiram que ele não pode e nem vai ficar sozinho. Vamos batalhar para tentar esgotar todas as possibilidades jurídicas do caso. Vamos batalhar para que o caso ganhe espaço na imprensa e nas redes sociais. Vamos chamar a atenção da imprensa especializada e internacional para o caso. Vamos batalhar, se por acaso ocorrer o pior, para que ele tenha recursos para enfrentar a situação. O objetivo deste email é pedir a sua ajuda. Primeiro, divulgando o que está acontecendo no seu veículo de comunicação, na sua coluna, nos sites, redes sociais. Depois, nos ajudando nas ações nas áreas das comunicações e mobilização que tomaremos diante de cada circunstância” (BASTOS, 2012).

Ricardo Kotscho respondeu com artigo intitulado “Jornalista ameaçado: somos todos Lúcio Flávio” no dia 15 de fevereiro de 2012, postado no blog Balaio do Kotscho, com a publicação na íntegra do texto de Raul Bastos.

Lúcio Flávio Pinto foi condenado pela justiça do Pará a indenizar por danos morais um dos maiores grileiros da Amazônia brasileira, Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida. O empreiteiro se disse ofendido porque Lúcio Flávio Pinto o chamou de “pirata fundiário”, em uma de suas matérias publicadas em 1999 no Jornal Pessoal. Cecílio do Rego Almeida grilou uma área de quase cinco milhões de hectares no Vale do rio Xingu, conhecida como Terra do Meio, no Pará.

Nestas terras há a exploração de madeira, mineração e garimpagem, além de tráfico de drogas e contrabando de ouro (LOUREIRO, 2009). Por ser rica em recursos naturais, a Terra do Meio apresenta um histórico de muitos conflitos entre vários atores sociais.

Nessa região, os pequenos produtores são ameaçados de morte, juntamente com agente pastoral, religiosos e membros de entidades não-governamentais que a estes conferem seu apoio na luta pela terra de trabalho. Outros atores sociais como agrimensores, fazendeiros, trabalhadores-escravos, “gatos”, peões, grileiros e fraudadores de papéis, matadores de aluguel, pilotos de pequenos aviões que aterrissam em campos de pouso clandestinos, garimpeiros, contrabandistas, madeireiros, compõem o quadro de personagens que se enredam em conflitos que, às vezes, tomam proporções impensáveis, envolvendo centenas de pessoas (LOUREIRO, 2009, P.78).

Esses conflitos sociais, exaustivamente analisados nas páginas do Jornal Pessoal, não passaram à margem da terra grilada pelo empreiteiro. Apesar de a área ter sido declarada patrimônio público pela justiça federal e o nome de Cecílio do Rego Almeida aparecer no “Livro Branco” da grilagem de terras do governo federal, o jornalista foi condenado a pagar 8 mil reais em valores de 2006. Este ano o valor corrigido chegou a R$ 25.116,75. As evidências da grilagem, fartamente comprovada em documentos pelo jornalista, foram deixadas de lado pelos magistrados do TJE-Pa que acompanhavam o caso. Cecílio do Rego Almeida faleceu em 2008, mas os herdeiros assumiram a causa.

Em uma semana de mobilização na web, a rede “Somos Todos Lúcio Flávio Pinto” conseguiu o valor necessário para pagar a sentença indenizatória determinada em 2006 pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE). Lúcio Flávio Pinto, em carta publicada aos seus leitores no dia 14 de fevereiro do ano passado, disse que não acreditava mais na Justiça do Estado do Pará, e informou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) alegou o seguinte argumento ao não receber seu recurso:

“(…) Em razão da deficiente formação do instrumento; falta cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante de pagamento das custas do recurso especial e do porte de remessa e retorno dos autos”. […] A partir daí eu teria prazo para entrar com um recurso contra o ato do ministro. Ou então através de uma ação rescisória. Como o ministro do STJ negou seguimento ao agravo, a corte não pode apreciar o mérito do recurso especial. A única sentença de mérito foi a anterior, do Tribunal de Justiça do Estado, que confirmou minha condenação, imposta pelo juiz substituto (não o titular, portanto, que exerceu a jurisdição por um único dia) de uma das varas cíveis do fórum de Belém. Com a ação, o processo seria reapreciado (…) (PINTO, 2012b).

Como o TJE-PA demorou a executar a sentença, no dia 12 de março de 2013, Lúcio Flávio Pinto compareceu espontaneamente na sede do Tribunal e pediu para pagar a indenização à família do empreiteiro, depositando o valor de R$ 25.116,75 em conta do poder judiciário. A postura do jornalista, inédita neste fórum amazônico, movimentou novamente as redes sociais do mundo.

Eis a imagem do site criado pela rede Somos Todos Lúcio Flávio Pinto com a nota ao público do jornalista divulgando que fez o pagamento da indenização à família do empreiteiro.

À época, a campanha de arrecadação pela internet do manifesto pró-Lúcio Flávio Pinto contou com a seguinte conta: Banco do Brasil, agência 3024-4, conta-poupança 22.108-2, em nome de Pedro Carlos de Faria Pinto, irmão do jornalista e administrador do fundo. Após a campanha atingir a soma do valor indenizatório, Lúcio Flávio Pinto agradeceu a todos e solicitou a suspensão da contribuição financeira. “(…) Quem vai pagar pela decisão aviltante do TJE do Pará será o contribuinte, o cidadão, que, no dia da execução da sentença absurda, comparecerá ao Palácio da Justiça para testemunhar o ato desonroso. Dessa roda não participaram as instituições. (…) Elas se calaram, se omitiram ou se acovardaram” (PINTO, 2012).

O ativismo político da rede “Somos Todos Lúcio Flávio Pinto” não permaneceu apenas no universo virtual. No ano passado houve mobilização social por meio de diversas campanhas para coleta de assinaturas em praças públicas de Belém, como Praça da República, logradouro escolhido para o lançamento do abaixo-assinado pró-Lúcio Flávio Pinto. O documento, que registra a história de perseguição do jornalista na Amazônia, alvo de 33 processos na Justiça do Pará, foi encaminhado pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (Sinjor-Pará) ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com centenas de assinaturas.

A rede promoveu ainda mesas-redondas, palestras e seminários. Um ato público importante aconteceu no dia 6 de março de 2012, no auditório do Ministério Público Federal – Pará. O evento contou com debates, mostra de vídeo, apresentação de música e mais coleta de assinatura. Houve transmissão ao vivo pela internet.

No dia 27 de fevereiro de 2013 foi lançada outra manifestação nacional em solidariedade a Lúcio Flávio Pinto por importantes associações públicas, movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, universidades, além de adesões individuais. No documento da manifestação destacam-se não só o caso da grilagem de terras na Amazônia por Cecílio Rego Almeida, mas também os processos jurídicos de 1992/1993 e de 2005 pela família Maiorana, com 19 ações, entre cíveis e criminais no TJE-PA, contra Lúcio Flávio Pinto. O jornalista em artigo do alternativo, edição de capa, nº 337, intitulada “O rei da quitanda”, denunciou o monopólio dos meios de comunicações pela família Rômulo Maiorana na Amazônia e seu esquema de poder político e econômico sobre governos e empresas. De acordo com trechos do manifesto:

“(…) O judiciário paraense, em grande parte, tem usado parâmetros claramente tendenciosos quando avalia os processos contra LFP. Em geral são dois pesos e duas medidas. O peso da bigorna inevitavelmente tem ficado nas costas do jornalista. (…) Analisando os processos, observa-se que vários foram os juízes que se afastaram dos casos que envolvem LFP e os poderosos da região, alguns por suspeição, outros alegando motivo de foro íntimo. O forte simbolismo da ‘justiça cega’ estará sempre ancorado na crença da imparcialidade, essência da mesma. Quando a justiça, e aqueles que cuidam dela, fecha os olhos para si mesma, abrem-se os tortos caminhos pautados, apenas, por interesses políticos e econômicos. Lúcio Flávio Pinto, a sociedade brasileira e, em especial, a sociedade paraense, só querem que a justiça seja cega, e justa (…)” (Manifesto em defesa de LFP, 2013).

A divulgação na internet do manifesto remete aos argumentos de Downing, quando ressalta que na era da comunicação alternativa na web há duas questões importantes a se considerar no que diz respeito aos produtores de mídias alternativas e os ativistas populares. A primeira é que por meio das redes eletrônicas, os cidadãos envolvidos nos movimentos sociais podem se expressar diretamente por meio de documentos postados na Rede das redes. Isso suscita uma mudança democrática substancial ao trocar “a estratégia de dar voz aos que não têm voz pela estratégia de deixar as pessoas falar por si mesmas” (Downing, 2002, p.275). Já a segunda está ligada às tendências socioeconômicas contemporâneas forçando “os ativistas sociais a lutarem para proteger as liberdades civis e os direitos humanos, ao mesmo tempo em que contestam as políticas econômicas regressivas” (2002, p. 275).

Sob este aspecto proposto por Downing, as fronteiras que separavam o jornalismo de Lúcio Flávio Pinto dos ativistas populares e intelectuais que apoiam a sua causa estão cada vez mais tênues. No site “Somos Todos Lúcio Flávio Pinto” é possível observar uma hibridização de textos do jornalista com opiniões, textos e outras postagens dos ativistas e leitores do Jornal Pessoal.

Mais uma vez, a rede “Somos Todos Lúcio Flávio Pinto” tem provocado a formação de várias redes de ativismo político na web. As entidades que assinam novo manifesto são:

Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO); Associação Brasileira dos Ogãs (ABO), Associação das Organizações das Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas (AOMT-BAM), Associação de Artesãos do Estado do Amapá (AART – AP), Associação de Divisão Comunitária e Popular (ADCP), Associação de Gays, Lésbicas e Transgêneros de Santana (AGLTS), Associação de Hortifrutigranjeiros, Pescadores e Ribeirinhos de Marabá (AHPRIM), Associação de Moradores Quilombolas da Comunidade de São Tomé do Aporema (AMQCSTA),Associação de Mulheres do Abacate da Pedreira (AMAP), Associação de Mulheres Mãe Venina do Quilombo do Curiaú (AMVQC), Associação de Proteção ao Riacho Estrela e Meio Ambiente (APREMA), Associação dos Moradores do Bengui (AMOB), Associação Educacional Mariá (AEM)Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA), Associação Grupo Beneficente Novo Mundo (GBNM), Associação Sociocultural de Umbanda e Mina Nagô (ACUMNAGRA)Encanto – Casa Oito de Março – Organização Feminista do Tocantins, Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN),Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA), Centro de Treinamento e Tecnologia Alternativa Tipiti (CENTRO TIPITI), Centro Pedagógico e Cultural da Vila Nova (CPCVN), Centro Popular pelo Direito a Cidade (CPDC), Coletivo Jovem de meio Ambiente do Pará (CJ-PA), Comunidade de saúde, desenvolvimento e educação (COMSAÚDE), Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM),Cooperativa de Mulheres Trabalhadoras da Bacia do Bacanga (COMTRABB), Cooperativa de Trabalho, Assistência Técnica, Prestação de Serviço e Extensão Rural (COOPTER),Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém (FAMCOS),Federação das Entidades Comunitárias do Estado do Amapá (FECAP), Federação de Cultos Afroreligiosos de Umbanda e Mina Nagô (FECARUMINA), Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE – Programa Amazônia),Fórum Carajás,Fórum de Participação Popular em Defesa dos Lagos Bolonha e Água Preta e da APA/Belém – Fórum dos Lagos, Fórum dos Movimentos Sociais da BR-163/PA (FMS BR-163), Fórum dos Movimentos Sociais de Belterra (FMSB), Fundação Tocaia (FunTocaia), Grupo das Homossexuais Thildes do Amapá (GHATA), Grupo Identidade LGBT, Grupo Ipê Amarelo pela Livre Orientação Sexual (GIAMA), Instituto de Desenvolvimento Social e Apoio aos Direitos Humanos Caratateua (ISAHC), Instituto de Divulgação da Amazônia (IDA), Instituto de Mulheres Negras do Amapá (IMENA), Instituto EcoVida, Instituto Saber Ser Amazônia Ribeirinha (ISSAR), Instituto Trabalho Vivo (ITV), Irmãs de Notre Dame de Namur (SNDdeN), Marcha Mundial das Mulheres (MMM – AP), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Urbano (MSTU), Movimento Afrodescendete do Pará (MOCAMBO), Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB) Movimento de Mulheres Empreendedoras da Amazônia (Moema), Movimento de Promoção da Mulher (Moprom), Movimento República de Emaús (MRE), Mulheres de Axé, Rede de Educação Cidadã (RECID), Sindicato das Empregadas Domésticas do Estado do Amapá (SINDOMESTICA), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém (STTR/STM), Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR-MA),Sociedade de Defesa dos Direitos Sexuais na Amazônia (SODIREITOS), União Folclórica de Campina Grande (UFCG), União Municipal das Associações de Moradores de Laranjal do Jarí (UMAMLAJ), Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes (APACC), Associação dos Concursados do Pará (ASCONPA), Associação Sindical Unidos Pra Lutar, Comissão Pastora da Terra (CPT/PA), Conselho Indigenista Missionário Regional Norte II (CIMI), Comitê Dorothy, Central Sindical e Popular CONLUTAS, Diretório Central dos Estudantes/UFPA, Diretório Central dos Estudantes/UNAMA, Diretório Central dos Estudantes/UEPADiretório Central dos Estudantes/UFRA, Fórum da Amazônia Oriental (FAOR), Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA), Fundo Dema/FASE, Instituto Amazônia Solidária e Sustentável (IAMAS), Instituto Universidade Popular (UNIPOP), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento Luta de Classes (MLC), Movimento Estudantil Vamos à Luta, Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), Partido Comunista Revolucionário (PCR), Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH)Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Pará (SINTSEP/PA), Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Belém e Ananindeua,Vegetarianos em Movimento (VEM), Associação Indígena Tembé de Santa Maria do Pará (AITESAMPA), Associação dos Empregados do Banco da Amazônia (AEBA), Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP), Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB), Instituto Amazônico de Planejamento, Gestão Urbana e Ambiental (IAGUA), Mana-Maní Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura, Rede de Juventude e Meio Ambiente (REJUMA), Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Gestão Ambiental do Estado do Pará (SINDIAMBIENTAL), JUNTOS! Coletivo de Juventude, Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (SINDTIFES), Tô Coletivo, Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), Grêmio da Escola Estadual “Ulysses Guimarães”, Contraponto, Associação dos Funcionários do BANPARÁ (AFBEPA), Associação Ka’apor Ta Hury do Rio Gurupi – MA, Núcleo Ka’apor de Agroecologia do Turiaçu – MA (NUKA’ATURI), Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Centro de Formação do Negro e Negra da Transamazônica e Xingu, Mutirão pela Cidadania, Movimento das Mulheres do Campo e Cidade – Regional Transamazônica e Xingu, Associação Rádio Comunitária Nativa de Altamira, Justiça Global, GT Combate ao Racismo Ambiental, Entidades que integram o GT Combate ao Racismo Ambiental, AATR – Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia – Salvador – BA, Amigos da Terra Brasil – Porto Alegre – RS, ANAÍ – Salvador – BA, APROMAC – Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte – PR, Associação Aritaguá – Ilhéus – BA, Associação de Moradores de Porto das Caixas (vítimas do derramamento de óleo da Ferrovia Centro Atlântica) – Itaboraí – RJ, Associação Socioambiental Verdemar – Cachoeira – BA, CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva) – Belo Horizonte – MG, Central Única das Favelas (CUFA-CEARÁ) – Fortaleza – CE, Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA) – Belém – PA, Centro de Cultura Negra do Maranhão – São Luís – MA, Coordenação Nacional de Juventude Negra – Recife – PE, CEPEDES (Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia) – Eunápolis – BA, CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades) – São Paulo – SP, CPP (Conselho Pastoral dos Pescadores) Nacional, CPP BA – Salvador – BA, CPP CE – Fortaleza – CE, CPP Nordeste – Recife (PE, AL, SE, PB, RN), CPP Norte (Paz e Bem) – Belém – PA CPP Juazeiro – BA, CPT – Comissão Pastoral da Terra Nacional, CRIOLA – Rio de Janeiro – RJ EKOS – Instituto para a Justiça e a Equidade – São Luís – MA, FAOR – Fórum da Amazônia Oriental – Belém – PA, FAPP-BG – Fórum dos Atingidos pela Indústria do Petróleo e Petroquímica nas Cercanias da Baía de Guanabara – RJ, Fase Amazônia – Belém – PAFase Nacional (Núcleo Brasil Sustentável) – Rio de Janeiro – RJ, FDA (Frente em Defesa da Amazônia) – Santarém – , PA, Fórum Carajás – São Luís – MA Fórum de Defesa da Zona Costeira do Ceará – Fortaleza – CE, FUNAGUAS – Terezina – PIGELEDÉS – Instituto da Mulher Negra – São Paulo – SP, Grupo de Pesquisa da UFPB – Sustentabilidade, Impacto e Gestão Ambiental – PB, GPEA (Grupo Pesquisador em Educação Ambiental da UFMT) – Cuiabá – MT, Grupo de Pesquisa Historicidade do Estado e do Direito: interações sociedade e meio ambiente, da UFBA – Salvador – BA, GT Observatório e GT Água e Meio Ambiente do Fórum da Amazônia Oriental (FAOR) – Belém – PA, IARA – Rio de Janeiro – RJ, Ibase – Rio de Janeiro – RJ, INESC – Brasília – DF, Instituto Búzios – Salvador – BA, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense – IF Fluminense – Macaé – RJ, Instituto Terramar – Fortaleza – CE, Movimento Cultura de Rua (MCR) – Fortaleza – CE, Movimento Inter-Religioso (MIR/Iser) – Rio de Janeiro – RJ, Movimento Popular de Saúde de Santo Amaro da Purificação (MOPS) – Santo Amaro da Purificação – BA, Movimento Wangari Maathai – Salvador – BA, NINJA – Núcleo de Investigações em Justiça Ambiental (Universidade Federal de São João del-Rei) – São João del-Rei – MG, Núcleo TRAMAS (Trabalho Meio Ambiente e Saúde para Sustentabilidade/UFC) – Fortaleza – CE, Observatório Ambiental Alberto Ribeiro Lamego – Macaé – RJ, Omolaiyè (Sociedade de Estudos Étnicos, Políticos, Sociais e Culturais) – Aracajú – SE, ONG.GDASI – Grupo de Defesa Ambiental e Social de Itacuruçá – Mangaratiba – RJ, Opção Brasil – São Paulo – SP, Oriashé Sociedade Brasileira de Cultura e Arte Negra – São Paulo – SP, Projeto Recriar – Ouro Preto – MG, Rede Axé Dudu – Cuiabá – MT, Rede Matogrossense de Educação Ambiental – Cuiabá – MT, RENAP Ceará – Fortaleza – CE, Sociedade de Melhoramentos do São Manoel – São Manoel – SP, Terra de Direitos, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), TOXISPHERA – Associação de Saúde Ambiental – PR, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Revista Polichinello. Integrantes do GT Combate ao Racismo Ambiental.

Adesões individuais: Ana Almeida – Salvador – BA; Ana Paula Cavalcanti – Rio de Janeiro – RJ; Angélica Cosenza Rodrigues – Juiz de Fora – Minas; Aparecida Oliveira – ILhéus – BA; Brenda Vicente Taketa – Belém – PA; Carmela Morena Zigoni – Brasília – DF; Cecília Mendes – Belém – PA; Célia Trindade Amorim – Professora da Faculdade de Comunicação da UFPa – PA; Cíntia Beatriz Müller – Salvador – BA; Cláudio Silva – Rio de Janeiro – RJ; Cristóvam Araújo – Daniel Fonsêca – Fortaleza – CE; Daniel Silvestre – Brasília – DF; Danilo D’Addio Chammas – São Luiz – MA; Diogo Rocha – Rio de Janeiro – RJ; Edgar Castro; Eleonor Cunha; Ericson Quaresma Aires – Belém – PA; Fernando Rabello – Parintins – AM; Florival de José de Souza Filho – Aracajú – SE; Igor Vitorino – Vitória – ES; Inaldo da Conceição Vieira Serejo – São Luís – MA; Janaína Tude Sevá – Rio de Janeiro – RJ; João Barbosa; José Cláudio Seixas de Aragão; José Maria Souza; Josie Rabelo – Recife – PE; Juliana Souza – Rio de Janeiro – RJ; Leila Santana – Juazeiro – BA; Luan Gomes dos Santos de Oliveira – Natal – RN; Luís Claúdio Teixeira (FAOR e CIMI) Belém- PA; Marco Antonio Baima de Oliveira; Maria do Carmo Barcellos – Cacoal – RO; Marly Silva – Belem – PA; Maurício Paixão – São Luís – MA; Mauricio Sebastian Berger – Córdoba, Argentina; Mateus Breyer; Myriam Reeve – São Paulo – SP; Norma Felicidade Lopes da Silva Valencio – São Carlos – SP; Paulo Faria – Companhia Teatral Pessoal do Faroeste – SP; Pedro Rapozo – Manaus – AM; Raquel Giffoni Pinto – Volta Redonda – RJ; Revista Polichinello / Nilson Oliveira; Ricardo Stanziola – São Paulo – SP; Robin Wright – Universidade da Flórida – EUA; Rodrigo Basrros; Rodrigo dos Santos – São Paulo – SP; Rosângela Martins; Rose Silveira – São Paulo – SP; Roseana de Seixas Brito – Rio de Janeiro – RJ; Rosivaldo Amorim – Professor da UFPa – PA; Ruben Siqueira – Salvador – BA; Rui Kureda – São Paulo – SP; Samuel Marques – Salvador – BA; Sebastião Raulino – Rio de Janeiro – RJ; Sérgio Gustavo Figueira Fialho; Sheila Luppi; Tania Pacheco – Rio de Janeiro – RJ; Telma Monteiro – Juquitiba – SP; Telma Oliveira; Teresa Cristina Vital de Sousa – Recife – PE; Tereza Ribeiro – Rio de Janeiro – RJ; Thadeu Lobo; Thais Pinheiro – Belém – PA; Vânia Regina de Carvalho – Belém – PA; Vitor Mendes – Waldir Cardoso – Belém – PA; Yan Quaresma – Sebo Porão Cultural – Belém- PA.

Considerações finais

Na geopolítica contemporânea a Amazônia não pode mais ser um reduto exclusivo de uma elite que nasceu fadada a encarar a região como colônia de matérias primas e de produtos semielaborados para alimentar somente o mercado internacional. Não se admite mais uma história que privilegie apenas interesses de uma minoria historicamente favorecida.

A rede “Somos Todos Lúcio Flávio Pinto” é um exemplo de rebeldia e ativismo político na web contra a perseguição jurídica e política que vem enfrentando o jornalista há 21 anos, e de forma mais ampla, contra todas as injustiças sociais da região. Trata-se de um movimento que utiliza a Rede das redes para exigir no debate global o direito à liberdade de comunicação na Amazônia sem os filtros oficiais do Estado, dos meios de comunicação aliados, e de um Tribunal que ousa transgredir formas elementares de direitos, incluído os da Constituição do País.

Negligenciar a história de luta do jornalista Lúcio Flávio Pinto, é negligenciar uma parte considerável da história contemporânea da Amazônia. As adesões à luta do jornalista continuam. Para apoiar o movimento, basta acessar o site da rede “Somos Todos Lúcio Flávio Pinto” na web.

Referências bibliográficas

BECKER, Berta K. Geopolítica da Amazônia. Conferência do Mês do Instituto de Estudos Avançados da USP proferida pela autora em 27 de abril de 2004. In: Estudos avançados 19 (53), 2005.

CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

DOWNING, John. Mídia Radical: rebeldia nas comunicações e movimentos sociais. São Paulo: Senac, 2002.

FERRARI, Pollyana. A Força da Mídia Social – Interface e linguagem jornalística no ambiente digital. São Paulo: Editora Factash, 2010.

LOUREIRO, Violeta Refklefsky. A Amazônia no século XXI, novas formas de desenvolvimento. São Paulo: Editora. Empório do Livro, 2009.

PINTO, Lúcio Flávio. Guerra Amazônica – o jornalismo na linha de tiro de grileiros, madeireiros, intelectuais etc.Belém: O Autor, 2005, 300 p. Edição independente com textos extraídos do Jornal Pessoal.

Jornais:

PINTO. Lúcio Flávio. “O rei da quitanda”. Jornal Pessoal, nº 337, 1 quinz.de jan. 2005.

______. O fim da “Ceciolândia”. Jornal Pessoal, nº 508, 1ª quinz. mar. de 2012a.

______. Grilagem. “A pirataria nas terras da Amazônia”. Dossiê Jornal Pessoal, nº 1, mar. de 2012b.

_____. “Pará recupera terras”. Jornal Pessoal, nº 533, mar. de 2013.

Sites:

Lúcio Flávio Pinto agradece ao Público pela solidariedade.https://somostodoslucioflaviopinto.wordpress.com/2012/03/02/lucio-flavio-pinto-agradece-ao-publico-pelo-sucesso-da-campanha/. Acesso dia 12 de novembro, de 2012

Lançamento de abaixo-assinado em favor de LFPhttps://somostodoslucioflaviopinto.wordpress.com/2012/03/04/lancamento-de-abaixo-assinado-em-favor-de-lfp/. Acesso dia 14 de dezembro de 2012.

Jornalista ameaçado: somos todos Lúcio Flávio. IN Balaio do Kotscho. http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2012/02/14/jornalista-ameacado-somos-todos-lucio-flavio. Acesso dia 30 de novembro de 2012.

Um ano de Primavera Árabe, a primavera inacabada. In http://topicos.estadao.com.br/primavera-arabe. Acesso dia 11 de fevereiro de 2013.

Pelo Brasil, um desejo comum: “Fora, Feliciano”. http://noticiavirtual.net.br/pelo-brasil-um-desejo-comum-fora-feliciano. Acesso dia 25 de março de 2013.

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Veja as principais notícias do Jornal Pessoal que chega às bancas

Edição de nº 539 do Jornal Pessoal já está nas bancas a R$ 5.

GOVERNO JATENE

Improbidade com Maiorana

A administração estadual sustenta a ORM Air, de Romulo Maiorana Júnior, com contrato ilegal no valor de R$ 2,6 milhões. O Ministério Público do Estado denunciou à justiça o principal executivo do grupo Liberal e dois oficiais da PM por improbidade administrativa. A ação foi instaurada.

E mais:

  • CENSURA À IMPRENSA EM PLENA DEMOCRACIA
  •  CÃES SÃO MORTOS. E AS CRIANÇAS?
  •  MAIS UNIVERSIDADES, MENOS DEBATES

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Pesquisadores de História da Mídia divulgam apoio a Lúcio Flávio Pinto

O 9º Encontro Nacional de História da Mídia ocorreu entre 30 de maio e 1º de junho, em Ouro Preto. Saiba mais sobre o evento aqui.

GT DE MÍDIA ALTERNATIVA DA ALCAR DIVULGA MANIFESTO EM DEFESA DO JORNALISTA LÚCIO FLÁVIO PINTO

Os pesquisadores e pesquisadoras do Grupo de Trabalho de História da Mídia Alternativa da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar), reunidos no 9º Encontro Nacional de História da Mídia, em Ouro Preto (MG), vêm a público manifestar seu repúdio e indignação contra as perseguições sofridas pelo jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal. Reconhecido no Brasil e no exterior pela excelência do trabalho jornalístico que realiza há mais de 40 anos, e com o qual ajuda na compreensão das complexidades sociais, políticas e econômicas da região amazônica, Lúcio é alvo de seguidos processos na Justiça do Pará, a maioria movidos pela poderosa família Maiorana, proprietária de um dos maiores grupos de mídia do Norte do país.

Esses processos vêm encontrando eco entre os magistrados paraenses, o que revela a parcialidade do Poder Judiciário no tratamento do caso. Depois de ser condenado por denunciar a tentativa do empresário Cecílio do Rego Almeida de ocupar ilegalmente uma extensa área de terra naquele Estado, em janeiro deste ano de 2013 o jornalista foi mais um vez derrotado no Tribunal de Justiça do Pará. Desta vez, a desembargadora Eliana Abufaiad condenou Lúcio a pagar cerca de 410 mil reais ao empresário Romulo Maiorana Junior e à sua empresa de comunicação, em razão da publicação, em 2005, do artigo intitulado “O rei da quitanda”, no Jornal Pessoal. O artigo desvenda as relações de poder tecidas pelo grupo Maiorana visando assegurar a dominação do mercado de mídia local.

Lúcio tem razão quando diz que é vítima de um processo político. Nas páginas de seu alternativo, ele já demonstrou a falta de isenção de magistrados paraenses nos julgamentos em que aparece como réu. Seus seguidos recursos são costumeiramente ignorados nas instâncias do Judiciário local.

O GT de Mídia Alternativa da Rede Alfredo de Carvalho (Alcar) entende que os processos contra Lúcio Flávio Pinto pertencem a um contexto mais amplo, de perseguição a jornalistas que, mesmo protegidos pelo direito à liberdade de expressão assegurado constitucionalmente, vêm sofrendo condenações especialmente depois de denunciar desmandos envolvendo representantes do baronato da mídia e do Judiciário. A tentativa de silenciar esses jornalistas se dá por meio de decisões judiciais que determinam o pagamento de quantias exorbitantes por parte dos réus. Como exemplos recentes, citamos os casos dos jornalistas e blogueiros Luiz Carlos Azenha e Paulo Henrique Amorim.

Deste modo, os pesquisadores e pesquisadoras aqui representados se associam às centenas de pessoas e entidades que, no Brasil e no mundo, denunciam todas as formas de agressão ao trabalho de jornalistas que se servem dos canais alternativos para propor uma outra visão de mundo, distinta daquela cotidianamente oferecida pelos meios hegemônicos de informação.

Ouro Preto, junho de 2013

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A resistência dos povos indígenas a Belo Monte no Jornal Pessoal que chega às bancas

Arte de LuizPê

Arte de LuizPê

Confira as chamadas de capa do Jornal Pessoal nº 538, primeira quinzena de junho de 2013

HIDRELÉTRICA

A guarda do paraíso

A construção da hidrelétrica de Belo Monte chegou a um impasse diante da resistência crescente dos índios à obra. O que fazer agora: passar por cima das resistências ou rever o projeto do governo para a Amazônia? A decisão é difícil, mas precisa ser tomada agora.

E mais:

  • CONSPIRAÇÃO CASSA PUTY?
  • MAIORANA: OUTRO PROCESSO
  • PARÁ TEM MAIS UNIVERSIDADE

Jornal Pessoal, nas bancas de Belém a R$ 5.

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Lúcio Flávio Pinto e Paulo Roberto Ferreira depõem à Comissão da Verdade

Assista à íntegra dos depoimentos dos jornalistas Lúcio Flávio Pinto e Paulo Roberto Ferreira à Comissão da Memória e Verdade, no dia 21 de março de 2013, no auditório João Batista da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). A comissão foi criada pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (Sinjor-PA) com a finalidade de colaborar com as investigações empreendidas pela Comissão Nacional da Verdade, criada pela lei federal nº 1.2528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012. Esta comissão tem a prerrogativa de apurar as violações aos direitos humanos no Brasil no período entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.

A moderação do blog agradece ao fotógrafo Patrick Pardini e à equipe da revista Polichinello por viabilizarem a publicação do vídeo.

Assista ao vídeo

Leia mais sobre os depoimentos aqui.

 

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Por que a solidariedade a Lúcio Flávio Pinto não se estende à vendagem do Jornal Pessoal? Leia o que LFP respondeu

O selo que LuizPê criou para a campanha de solidariedade ao irmão.

O selo que LuizPê criou para a campanha de solidariedade ao irmão.

Atualizado às 13h34.

Luiz Pinto, editor de arte do Jornal Pessoal e, para quem ainda não sabe, irmão do Lúcio Flávio, fez a última da série de perguntas dos leitores-internautas ao LFP. LuizPê, que o acompanha diretamente na batalha do jornal impresso, aborda o apoio do público ao jornalista.

Luiz Pinto – Constatamos pela campanha de arrecadação da quantia em dinheiro para o pagamento da indenização ao Cecílio do Rego a enorme rede de solidariedade ao teu trabalho pelas causas amazônicas. Por que esse apoio não se estende à compra do Jornal Pessoal, já que o jornal é a maior expressão e a sobrevivência dessa tua luta, porém, a queda na venda só aumenta (mesmo levando em conta a crise do jornalismo impresso)?

LFP – Já participei de várias iniciativas para arrecadar fontes para o JP e formar grupos de apoio. Nenhuma prosperou. Lembro uma, comandada pelo então reitor da UFPA, o atual deputado federal Nilson Pinto de Oliveira, realizada no Núcleo de Arte, na Praça da República. Foi a primeira e única reunião, embora tenha começado muito bem.

Entendo esse esvaziamento. Cada um tem sua própria cruz para carregar e missões coletivas a desempenhar. Não sobra muito tempo, memória e energia para empenhar na causa do jornal. Para não renovar ilusões e frustrar esperanças, passei a considerar o JP como uma tarefa profissional, um trabalho normal. Ajo como se meu jornalzinho tivesse as mesmas condições das publicações da grande imprensa, apesar da sua condição idiossincrática (ao rejeitar a receita da venda de anúncio, o JP se condena ao pauperismo de meios para exercer o jornalismo).

Faço a minha parte da melhor maneira possível (embora tenha que reconhecer que é cada vez “menos melhor”, digamos assim, “antoniomagriescamente”). O leitor, se quiser, que faça a sua. Se não quiser, o jornal para. Como tem que ser. Do contrário, o editor vai se sentir herói ou injustiçado. Pobre do povo que precisa de herói, disse Bertolt Brecht pela boca de Galileu. A injustiça faz mal para o fígado. Melhor desopilá-lo com bom humor e tolerância.

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O jornalista precisa de uma boa formação humanista, saber ver o mundo, afirma Lúcio Flávio Pinto

A formação do jornalista é o tema de hoje da entrevista dos leitores com o jornalista Lúcio Flávio Pinto. Veja o que ele respondeu à internauta Rose Silveira:

Rose Silveira – Você já teve a experiência de lecionar no curso de Comunicação Social (Jornalismo) da Universidade Federal do Pará. Mesmo considerando as variações nos perfis dos cursos de Jornalismo oferecidos pelas universidades brasileiras, a seu ver, o que não deveria faltar na formação do jornalista?

LFP – Uma boa formação humanista. Por isso, diversificada e profunda. Não me lembro de ter indicado um único manual para os meus alunos nem de fazê-los viajar pela teoria da comunicação (que, a meu ver, devia fazer parte do curso de Comunicação, se passasse a existir o de Jornalismo; caso contrário, devia receber abrigo sob o teto da semiótica e da linguística, ou mesmo da teoria literária).

Dei-lhes grandes textos do jornalismo próximo da literatura, da história ou da ciência política. E de textos da literatura que iluminam a abordagem jornalística. Ver o mundo, saber anotá-lo e repassá-lo de forma fluente, clara e agradável para os outros é a missão do jornalista.

Também mostrei aos meus alunos onde esse jornalismo foi praticado. Levava para a sala de aula exemplares das melhores publicações, nacionais e estrangeiras, do meu próprio acervo, para que eles as vissem e aprendessem a fazer algo próximo ou semelhante através de quem fizera o melhor. Por fim, testei-os a fazer com seus próprios recursos, segundo suas ideias pessoais. Foi o que fiz em sete anos na UFPA.

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Lúcio Flávio Pinto ao leitor: “Minha crença é na revolução pelo conhecimento”

A pergunta de hoje ao jornalista Lúcio Flávio Pinto vem do internauta Wendell Magalhães.

Wendell Magalhães – É certo que a sua principal batalha em favor de nossa região, estado e cidade é feita através da informação, do esclarecimento. É feita buscando mostrar a verdade nua e crua dos fatos, como todo bom jornalismo, como o teu, é feito. Porém, gostaria de saber se acreditas que essa luta contra todos os problemas que afligem e ameaçam nossa região amazônica pode ser travada com outros meios e ir além disso. Ou seja, quero que me digas se tens convicção de que os problemas da Amazônia, de servir sobretudo como mero espaço de saque desde o início da colonização, podem ser resolvidos no campo democrático e na defesa pela democracia já conquistada até aqui, ou se acreditas que podemos e devemos ir além dela.

Lúcio Flávio Pinto – A defesa não pode ser feita apenas através da palavra escrita. Tenho me empenhado também com o discurso. Faço palestras desde 1969. Já perdi a conta de quantas fiz. Uns 20 anos atrás me aproximava de 500. Os auditórios eram menores do que o público que alcanço com meus escritos. Mas a palavra oral tem uma força raramente alcançada pelos textos porque é acompanhada de olhares, gestos, eloquências e silêncios, no corpo a corpo, no olho no olho. Mobiliza muito mais.

Ainda assim, sei que falta algo mais: a ação política. Não cheguei até ela por foro íntimo. Minha política é o que tenho feito, da página impressa ao auditório. Outros podem fazer mais indo à política mais partidária. Minha crença é na revolução pelo conhecimento, a consciência e a assunção de um papel próprio por cada cidadão. Não tenho mais tempo útil para a revolução por ação armada ou qualquer forma de rompimento brusco, radical e violento. Nem confiança nessa via. Sou um homem de convicções formadas pela leitura de autores que me instruíram a agir de forma mais decidida, profunda e democrática, como Gramsci, à sombra de Marx.

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