LFP responde: a Amazônia precisa criar atividades produtivas para evitar o ‘destino manifesto’ de colônia

Hoje, o jornalista Lúcio Flávio Pinto responde às indagações do internauta Rogério Almeida sobre as consequências, nos dias atuais, do modelo de desenvolvimento colonialista assentado na Amazônia.

Rogério Henrique Almeida – Escrevo para manifestar o apreço e a admiração pelo profissional que és e para externar as minhas congratulações pelas quase cinco décadas de atividade de excelente jornalismo produzido na fronteira amazônica. Questão: Existe alguma chance de os “de baixo” edificarem um projeto de desenvolvimento com o cenário das políticas públicas na Amazônia, que vêm, desde Vargas, contemplando a grande empresa internacional e nacional?  Continuaremos crescendo como rabo de cavalo?

Lúcio Flávio Pinto: A face colonial da condição da Amazônia (e do Pará) dificulta muito essa possibilidade. Mas ela existe. E existe em virtude da globalização mais intensa de toda história da humanidade. Se o capital chega mais rápido, fácil e intensivamente na aldeia global, também o conhecimento faz esse circuito. É o melhor caminho para sermos contemporâneos dos fatos. E, dominando-os, fazer com que eles nos favoreçam, ao invés de impor a dependência e subordinação.

Quando o Brasil implantava o polo de alumínio junto com a mina de Carajás e a hidrelétrica de Tucuruí, era para nos termos antecipado procurando o melhor arranjo de mercado e a tecnologia adequada para chegarmos à ponta da linha, ao invés de marcarmos passo no início da cadeia produtiva de eletrointensivos, como acabamos fazendo – daí o crescimento como rabo de cavalo: para baixo.

Ao invés de acrescentarmos à mineração as guseiras a carvão vegetal, a tecnologia mais atrasada que havia (e a mais perniciosa), devíamos ter partido para o uso produtivo da matéria-prima mais abundante que iríamos gerar, a energia. O que significava construir as miniusinas, mini mills, em substituição aos paquidérmicos altos fornos. Houve uma revolução siderúrgica e podíamos ter embarcado nela. Mas ficamos ao largo, servindo aos interesses da mudança. Resultado: marcamos passo, exportamos energia bruta e ficamos para trás.

Só podemos evitar esse “destino manifesto” se acompanharmos o que acontece na Amazônia, participando desses acontecimentos, em sintonia com o que acontece no mundo. Da vanguarda da história são tomadas decisões para usar o que a Amazônia tem de mais cobiçado: energia. Se não criarmos atividades produtivas, vamos continuar a crescer naquilo que é negativo: exportando energia bruta, mandando para fora o desenvolvimento e nos sangrando.

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4 Comentários

Arquivado em O que Lúcio nos diz

4 Respostas para “LFP responde: a Amazônia precisa criar atividades produtivas para evitar o ‘destino manifesto’ de colônia

  1. Raymundo Almeida

    Meu prezado amigo Lúcio dos tempos de O liberal, como sempre você manifesta sua opinião com muita lucidez. Um abraço.

  2. Lúcio Flávio Pinto

    Adelina: obrigado por sua generosidade. Ela me anima a vontade e sustenta a trilha.
    Marly: você tem razão, o que não elide a confiança.

  3. Marly Silva

    Lucio , seguindo o seu raciocínio posso afirmar com segurança : você é muito otimista em se tratando de um estado e de uma região onde a ciência econômica simplesmente desistiu de fazer a investigação sistemática e de ponta da exploração das matérias primas mais cobiçadas no mercado nacional e internacional . Também salta aos olhos o vazio absoluto em termos de uma investigação da economia Urbana . Onde está o conhecimento cientifico ?

    marly silva

  4. Axé, Lucio Flávio Pinto! Eu me orgulho de ser sua contemporânea!

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