Lúcio Flávio Pinto responde sobre religião e política na Amazônia

A moderação do blog, aceitando uma sugestão do jornalista Lúcio Flávio Pinto, que, em maio, completa 48 anos de profissão, lançou aos leitores a proposta de enviar perguntas ao jornalista sobre temas relacionados a jornalismo e ao Jornal Pessoal, que ele edita há 26 anos. Veja aqui o post original.

Os moderadores agradecem às pessoas que aceitaram participar e, a partir de hoje, o blog passa a publicar, por ordem de chegada, as perguntas dos leitores e as respostas de Lúcio Flávio. A primeira é de Luiz Mário de Melo e Silva.

Luiz Mário de Melo e Silva – A iniciativa é de inestimável valor, pois, quando o mundo passa pela necessidade de novas informações para entender a crise que atravessa, nada melhor que um “informador” contribua para o entendimento, sobretudo sendo amazônida. Sendo a Amazônia a referência para os novos tempo que se avizinham.  A grande dificuldade em entender a Amazônia não está justamente por conta da cultura religiosa que é muito forte no país, sobretudo na região amazônica, influenciando terminantemente a política (divinização do líder político), o que intimida e mantém cativo o povo?

Lúcio Flávio Pinto – Não necessariamente. A cultura religiosa não leva automaticamente a uma posição política conservadora nem impede, como pressuposto, a compreensão dos fatos. Vou usar um exemplo doméstico: o padre Edilberto Sena fez da Rádio Educadora de Santarém, mantida pela hierarquia diocesana, um fórum de debates sobre a Amazônia de primeiro nível. Ele próprio escreve sobre temas amazônicos, oferecendo informações, pistas e questionamentos sobre os problemas atuais da região. Há outros exemplos em muitos pontos da região. Não só na religião católica, mas em outras crenças.

O problema não é ter ou não ter cultura religiosa: é estar em condições de compreender o cotidiano e ser capaz de interpretá-lo com correção. É uma tarefa difícil. As coisas acontecem com abundância na Amazônia e a uma velocidade espantosa, no caso dos empreendimentos de grande porte, voltados para mercados externos.

Exatamente por terem essa origem e tais dimensões, eles só podem ser apreendidos e entendidos na sua dimensão mais ampla: um pé na matriz, geralmente metropolitana, e outro pé na sede da matéria-prima, quase sempre dependente e, por isso, colonial. Só que os circuitos comerciais, os processos tecnológicos e o método decisório têm uma amplitude internacional. Apanhar o fenômeno apenas num dos polos dificilmente permitirá compreendê-lo. Este é o grande desafio amazônico.

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1 comentário

Arquivado em O que Lúcio nos diz

Uma resposta para “Lúcio Flávio Pinto responde sobre religião e política na Amazônia

  1. Luiz Mário de Melo e Silva

    Ocorre, todavia, que a “cultura religiosa” praticada por estas bandas tende a ser uma pseudocultura por ser um imposição da Igreja Católica Apostólica Romana. Ou seja, não havendo uma religião (cultura) original da região, o povo tende construir sua “cultura” a partir de outra, e esta talvez abafa a originalidade da cultura (religião) do local.

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