O Jornal Pessoal vê o que a grande imprensa não quer, ou não pode, ver

A capa do Jornal Pessoal nº 511

Os leitores deveriam ficar atentos à edição mais recente do Jornal Pessoal, a de nº 511, da segunda quinzena de abril. Sob a manchete “Elites: o assalto ao erário”, o jornalista Lúcio Flávio Pinto parte de vários fatos candentes na esfera política, econômica e judicial ocorridos no Pará, a fim de mostrar ao público como a elite do estado trata a coisa pública, e sob o silêncio da chamada grande imprensa. Ora, alguém diria, mas isso não é novidade no Brasil. Exatamente: não é novidade porque as anomalias já foram naturalizadas e, no Pará, chegam ao bizarro.

Mas o que Lúcio Flávio Pinto faz é exatamente desnaturalizar esses fatos, apontando neles uma perspectiva histórica, mesmo vistos sob o calor da hora. Faz o que os jornais já não sabem, ou não querem, mais fazer: olhar os fatos de modo panorâmico, vendo neles as suas relações, as suas aproximações. E, observando-os dessa forma, o jornalista esclarece melhor o público sobre o que ocorre no segundo maior estado brasileiro em dimensão territorial, na região que significa 60% do território brasileiro.

Valem como uma reflexão sobre história do presente da Amazônia o artigo a respeito do processo subjacente ao pedido de concordata da Rede Celpa, a empresa que fornece energia a 1,8 milhão de unidades no Pará; a matéria sobre o recurso interposto pelo Ministério Público Federal contestando a absolvição dos irmãos Ronaldo Maiorana e Romulo Maiorana Júnior em crimes contra o sistema financeiro nacional; e outra sobre o fim do litígio entre as Organizações Romulo Maiorana e a Vale.

Como se não bastassem esses temas, o jornalista publica uma Carta Aberta à presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargadora Raimunda Noronha, chamando-a à atenção sobre as postagens impublicáveis, mas abertas a quem quiser ver, que o juiz Amílcar Guimarães, da 1ª Vara Cível de Belém, tem feito em sua página no Facebook. Como se sabe, foi esse magistrado que condenou o jornalista, em 2005, a pagar indenização na ordem de R$ 8 mil (hoje entre 20 mil e 22 mil reais) ao empresário Cecílio do Regio Almeida, em função do uso da expressão “pirata fundiário”, em artigo no Jornal Pessoal. Apesar de comprovada a grilagem e anulados os registros de posse de uma área de 5 milhões de hectares no Xingu, o jornalista, autor das denúncias, continuou condenado. Foi naquela rede social que o juiz fez xingamentos ao jornalista, em fevereiro deste ano, o que repercutiu na imprensa nacional.

Diz um dos trechos da Carta Aberta:

“No seu blog o juiz inseriu foto que fez de um idoso com Alzheimer. Julgou que assim mostrava à sua corte (da qual apresentei alguns dos exemplares mais próprios à exibição pública) sua sensibilidade como fotógrafo. Talvez tenha causado impacto maior ao ‘público externo’, chocado pela imagem e à procura de uma explicação aceitável para essa exibição tanto de mau gosto quanto desataviada.

Como o próprio juiz admite na sua oração confessional, seus abusos de raciocínio e linguagem são numerosos e remontam a um passado já longínquo. Quando finalmente parecia que a administração do poder judiciário tomaria uma atitude contra ele, sua cabeça foi salva pelo então presidente do TJE, Milton Nobre”.

Vale notar que essa leitura feita por Lúcio Flávio sobre as questões locais, que tem sido a marca de seu jornalismo em 40 anos de profissão, tornou-se ainda mais favorável em função do novo formato do Jornal Pessoal, agora com 16 páginas e com um breve editorial que enfeixa a pauta.

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1 comentário

Arquivado em Ação coletiva

Uma resposta para “O Jornal Pessoal vê o que a grande imprensa não quer, ou não pode, ver

  1. Do Amazonas ao Pará somos todos Lúcio Flávio Pinto.

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