Página 22 destaca a solidariedade a Lúcio Flávio Pinto

A revista Página 22, editada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e jornalistas independentes, traz em sua edição de março duas notas sobre o movimento de solidariedade ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, assinadas por José Alberto Gonçalves Pereira. Acesse o site da Página 22 aqui.

Acesse aqui o PDF da publicação: Página 22_Março 2012_Nº 61

(IN) JUSTIÇA DO PARÁ (I)

SOLIDARIEDADE A LÚCIO FLÁVIO PINTO

Jornalistas, leitores, sindicatos, grupos de direitos humanos e organizações ambientalistas lançaram em fevereiro a campanha “Somos todos Lúcio Flávio Pinto”. movimento visa denunciar, até mesmo no exterior, a injusta condenação do paraense Lúcio Flávio Pinto – considerado o maior especialista em Amazônia da imprensa brasileira – pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Pará. LFP, como também é conhecido, foi condenado a pagar indenização de R$ 8 mil (o que hoje vale perto de R$ 22 mil, incluindo custas e honorários advocatícios), referentes a uma ação por danos morais movida por Cecílio do Rego Almeida, fundador da CR Almeida, que é uma das maiores construtoras do País, responsável por várias obras bancadas com dinheiro público.

Almeida, falecido em 2008, alegou na ação ter sido ofendido pelo jornalista, que o chamou de “pirata fundiário” em reportagem publicada em 1999 em seu combativo Jornal Pessoal. O texto descrevia a apropriação ilegal por Almeida de quase 5 milhões de hectares de terras públicas no Vale do Rio Xingu, no Pará – região de floresta rica em minérios e onde a Usina de Belo Monte está sendo construída.

“Fui condenado por falar a verdade.” No fim do ano passado, o “grilo”, herdado pelos filhos do fundador da empreiteira, foi anulado por uma decisão da Justiça Federal, sujeita a recurso.

O caso é tão escandaloso que até os funcionários do cartório que registrou a compra da “propriedade” foram demitidos pelo TJ. Um dos empreendimentos com participação da CR Almeida é a exploração de cobre em Canaã dos Carajás, no Sudeste do Pará, pela Mineração Serra do Sossego, subsidiária da Vale, que tem o governo federal como um de seus acionistas. Procurada por PÁGINA22, a CR Almeida não se manifestou a respeito. Por José Alberto Gonçalves Pereira.

(IN) JUSTIÇA DO PARÁ (II)

DRAMA KAFKANIANO

Cansado de gastar dinheiro e tempo para acompanhar e recorrer dos 33 processos movidos contra ele nos últimos 20 anos, o jornalista Lúcio Flávio Pinto tomou decisão controvertida, ao desistir de tentar mais um recurso contra sua condenação na ação de Cecílio do Rego Almeida. Seu último recurso foi negado em fevereiro pelo presidente do STJ, que justificou sua decisão em face da falta de algumas formalidades na documentação anexada por LFP, que preferiu mudar sua estratégia para o plano político. “Espero dividir com centenas ou milhares de pessoas o efeito dessa ignomínia de indenizar quem se apropriou de parte tão valiosa do patrimônio público.”

 Das 33 ações que sofre, 18 foram iniciadas pela família Maiorana, dona do grupo de comunicação Liberal, cuja TV é afiliada da Rede Globo. LFP assinala que suas denúncias contra corrupção, grilagem e ligações de juízes, políticos e empresários com grupos criminosos são sempre documentadas. “Mas fui parar numa espécie de Gulag. Não interessa o que digo, já estou condenado de antemão”, diz, comparando sua situação com a de prisioneiros do Gulag, sistema de administração dos campos de trabalhos forçados na antiga União Soviética.

 “Continuo a crer em muitos dos integrantes do TJ, mas não na estrutura de poder que nele funciona, conivente com a espoliação do patrimônio público por particulares, como o voraz pirata fundiário Cecílio do Rego Almeida”, denuncia. Para doações à campanha pró-Lúcio Flávio e notícias sobre o caso, acesse somostodoslucioflaviopinto.wordpress.com. Por José Alberto Gonçalves Pereira.

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