Lúcio Flávio Pinto e a ciência amazônica

Em manifesto de solidariedade pronunciado na noite da última terça, 6, a pesquisadora Ima Vieira, que foi diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi  entre os anos de 2005 e 2009, ressalta o diferencial do jornalismo feito por Lúcio Flávio Pinto e a sua importância para a Amazônia.

Em seu depoimento, que também foi publicado nesta sexta no Jornal da Ciência, a pesquisadora destaca a significativa produção intelectual do jornalista e a sua visão diferenciada sobre o desenvolvimento da região amazônica, que fundamenta o seu trabalho junto ao Jornal Pessoal: a defesa pela produção intensiva de conhecimento de ponta; pela distribuição e qualificação de profissionais in loco, preparados para lidar com as diversas realidades locais; e a necessidade de garantir soluções de vanguarda para garantir um crescimento econômico acompanhado da valorização do patrimônio natural e do empoderamento de seus habitantes.

Confira abaixo alguns trechos do discurso de Vieira e clique aqui para ler o texto na íntegra.

O jornalista Lúcio Flavio Pinto, desde o I Simpósio Internacional da Biota Amazônica, evento realizado em 1966 em Belém (sua primeira cobertura jornalística, ainda muito jovem), fez a diferença durante sua trajetória de mais de 40 anos de investigação jornalística. Ele é um dos principais conhecedores das questões ambientais e de conflitos de terra na Amazônia, além de outros assuntos, é claro, produzindo análises contundentes sobre a região.

Sua visão é ambiciosa, quer que a Amazônia vire um celeiro de produção científica e aplicação tecnológica moderna, possibilitando que a região periférica obtenha uma nova posição no mundo. Ele quer ver a valorização da via de acesso pelos rios. Tem propostas concretas de projetos científicos para a região – como os kibutz científicos. 

Lúcio Flávio tem sido um crítico minucioso de todos os planos insanos e mirabolantes que já houve para a Amazônia, desde o Instituto da Hiléia, passando pelos projetos Jari, Calha Norte, SIVAM, Carajás, Tucuruí, Belo Monte. É um dos maiores inimigos da forma como as estradas cortam esse território. 

A história da Amazônia após os anos 1970 não pode ser escrita sem mencionar os 12 livros que Lúcio Flávio escreveu e as centenas de edições do Jornal Pessoal e da Agenda Amazônica. Lúcio é corajoso, um estudioso da região e um incansável divulgador da verdade sobre o que acontece na Amazônia, com seu povo e o patrimônio público. Por isso, está sendo implacavelmente perseguido. Por isso, os arrogantes e poderosos (sejam juízes, empresários e os ditos donos das terras públicas da Amazônia) os ameaçam de todas as formas.

Como Lúcio conseguiu fazer tudo isso? A compulsão pela leitura, a disposição para estudar e colecionar documentos, o conhecimento obtido em viagens pelo interior da Amazônia e pelo exterior, a formação de sociólogo, o exercício diário da reportagem investigativa, a convivência com cientistas e técnicos, o respeito pelo conhecimento erudito e popular. Mas, ele age, principalmente, por entender o jornalismo como uma missão social, a olhar criticamente as experiências do cotidiano“.

Copie e compartilhe o link para o texto: https://somostodoslucioflaviopinto.files.wordpress.com/2012/03/lucio-flavio-pinto-e-a-cic3aancia-amazc3b4nica-final-_1_.pdf 

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2 Comentários

Arquivado em Manifestos de Solidariedade

2 Respostas para “Lúcio Flávio Pinto e a ciência amazônica

  1. Teresa Avila Pires

    Vivo no Pará desde 1983, como pesquisadora do Museu Goeldi, e concordo plenamente com a Dra. Ima Vieira. Lúcio Flávio Pinto é um jornalista que honra a profissão. Que ele sofra retaliações por sua postura pode ser esperado, mas que tais retaliações ganhem acolhida no sistema judicial, que deveria zelar pelos direitos dos cidadãos, é um triste absurdo.

  2. Edgar Monteiro Chagas Junior

    Excelente texto da pesquisadora Ima.
    No mínimo esclarece sobre a miséria de nossa condição de acesso a boa informação nesta paragem ainda colonial do Brasil.

Manifeste solidariedade

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