Diário do Pará expõe suspeição do judiciário no caso Lúcio Flávio Pinto

O jornal Diário do Pará publicou hoje, 17, reportagem sobre a decisão de Lúcio Flávio Pinto de não recorrer à sentença que o condena a indenizar por “ofensa moral” a família do empresário Cecílio do Rego Almeida, responsável por gigantesco esquema de grilagem de terras públicas na Amazônia.

Em denúncia do crime à sociedade, o uso da expressão “pirata fundiário” teria ofendido o fraudador.

“O termo pode ser forte ou irônico, mas a realidade é que a empresa havia se apossado de uma área de quase cinco milhões de hectares no vale do rio Xingu, no Pará, muitas em áreas de assentamento ou reserva legal. É tão real a grilagem que a justiça federal de 1ª instância anulou os registros imobiliários dessas terras, por pertencerem ao patrimônio público. Fez mais: demitiu por justa causa todos os funcionários do cartório de Altamira envolvidos na fraude”, justifica o texto.

Suspeição à Justiça estadual – Em declaração ao jornal, Lúcio justifica a decisão que levou o jornalista a aceitar perder a primariedade como réu e a pagar a indenização à família do grileiro: “recebi sentenças ilegais como a de um juiz que, substituindo a titular por alguns dias, levou o processo de 400 páginas para casa durante o fim de semana, devolveu na terça-feira, quando a juíza titular já estava no domínio das funções e sentenciou retroativamente para a sexta-feira, entre 10h e 14h”.

De acordo com ele, o processo teria sido marcado por uma postura tendenciosa do poder judiciário estadual: a ação chegou a sumir e todas as ferramentas jurídicas possíveis, como agravos e mandados, foram rejeitadas.

“Decisões mais políticas do que propriamente jurídicas”, aponta o jornal ao lembrar sobre as constantes críticas do jornalista ao judiciário paraense em seu Jornal Pessoal.

A matéria encerra com as aspas de Lúcio sobre o aceite da condenação, cujo valor deverá ser pago com o apoio de colaboradores também descontentes com a inversão de lógica do caso: o denunciante ainda ter que pagar ao criminoso após dar visibilidade a um crime, comprovado posteriormente pelo próprio poder público, que provocaria sérios danos ao patrimônio público e às riquezas naturais da região.

“Quando eu for pagar, quero que fique claro que é o povo, o mesmo que sempre foi espoliado por um cidadão que se apossou de terras de forma ilegal, quem está pagando essa aberração. Espero que esse gesto estimule os bons juízes, que são a maioria, para que corrijam esses erros e punam os maus juízes”, finaliza a publicação.

Leia a reportagem na íntegra.

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1 comentário

Arquivado em Dizem por aí

Uma resposta para “Diário do Pará expõe suspeição do judiciário no caso Lúcio Flávio Pinto

  1. Ebenezer

    Lúcio Flávio Pinto não é um mártir, pelo menos nunca se propôs a isso, sua história no jornalismo no Brasil é reconhecida internacionalmente, suas matérias são infelizmente a única fonte confiável no Estado do Pará. Sua condenação é um absurdo, esse fato diminui a confiança e a esperança em um país mais seguro, lamentavelmente. Quem conhece nossos Brasis e de alguma forma já ouviu falar do Estado do Pará, sabe que o fisiologismo e o mandonismo ainda imperam, ser ético, fazer de sua profissão um ato nobre de compromisso com a emancipação coletiva do povo desinformado e iludido deveria ser motivo de homenagens e honrarias. Poderíamos estar falando de um típico caso de inversão de valores, mas acreditem, não se trata disso. E falando em inversões, os velhos do Pará não podem ser eternos daria uma inversão se não mais adequada pelo menos mais oportuna para uma nem tão velha canção regional se de alguma forma suas influencias nas novas gerações realmente estivesse diminuindo.
    Ser analfabeto absoluto no Estado do Pará não é uma novidade, porém ser analfabeto político ainda é, não porque eles nunca existiram mas porque simplesmente nunca souberam de sua triste condição, pensem no mal que a grande imprensa realiza nestas pobres almas sem condições de estabelecer comparações ou a mais simples análise dos fatos que são apresentados, é nesse universo desfavorável e semanticamente opressor que o trabalho diferenciado e sobretudo ético do Jornalista Lúcio Flávio Pinto torna-se uma necessidade, prova de que existe um brasil que ainda resiste, que sonha e que trabalha para o fortalecimento de nossa democracia, pelo efetivo controle social das tomadas de decisão ainda feitas de formas escusas, utilizadas para manter privilégios e não assegurar direitos e deveres.

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